quarta-feira


Há em Paris um terrível lugar,
Onde a escória, canalha
Lá vai para espiar
Há a mania de a este covil
Chamar Corte dos Milagres

- Vais-te tramar

O manco ?
E o cego vê

E o morto não pia
E tu viver não vais
Para contar aos demais
Há uma regra para todo o intruso
Sair daqui não vamos permitir
E nesta Corte
O que é um milagre
É sobreviver
Para poder sair

Venham cá todos!
Tenho boas notícias para hoje.
É um casalinho.
Um par de espiões do Frollo.
e o seu fiel sineiro corcunda.


Esta justiça
Não quer dizer nada
E eu sou advogado e juiz
E só sei
Que a sentença é alucinada
É só pelo gozo de abusar
Da lei


Últimos desejos?
É o que todos dizem.


- Depois das provas presentes
- Protesto!
- Não podes!
- Porquê?
- Cala-te.
- Está bem.


São totalmente inocentes
E esse é o crime pior
Vão com pena maior!

sábado

terça-feira

mais uma vez hesitas.

com o ecoar do desejo, o vermelho e o verde saltaram, e dançaram sobre tua razão.

razão desprendida e mal compreendida de dias menos contentes.







brilhará, fluorescente?

quarta-feira

for the times they are a-changin'

terça-feira

e vermelho e verde, seu coração nunca parara de bater.




mas o plástico escorria, líquido.

domingo

Pena é nem te dares conta.
A ilusão é ter o olho todo aberto.
Sem palavras medidas ou contadas, ou contadas ou medidas ou pensadas, quase sem palavras, sem nexo, sem fio, sem corpo, sem alma.

Corri, nasci, corri, morri de novo e a cada dia renasceu nas cinzas da fénix pagã uma dor de existir nova.

Olhei, de recanto, o passado e arrebatou-me um amor por mim. Pena já não ser eu a flor da calçada, pena já só ser musgo seco recalcado no teu muro de betão - bruto betão te benze.

Pena é o sono, a morte cerebral de não ter segundos de existência. Pena é dezoito anos de vida terem sido dois segundo, um p'ra ele, meio p'ra ti.

Pena é pelo sonho teres morrido dez vezes, e pena é ele ter morrido antes de ti. Pena é a morte melancólica de Diana, da irónica Diana.

Pena é o teu matagal de pêlos ruivos de sangue estar raso de vida, pena é teres sido devastada pela peste do bicho.

Pena é já não saberes ler, não saberes escrever, não saberes falar. Pena é já não saberes ser e pensares a cada passo num futuro que vomitas com ódio.
Pena é que de tanto bater o teu coração se engasgue, se cuspa de recordações nostálgicas da merda que eras - mas eras.

Pena é seres a mediocridade do banal e não quebrares as regras.
Pena é a vida já não habitar no teu miserável corpo, flácido, gordo, abundante.

Pena é teres pena.

quarta-feira

balanço balançado.

correndo e discorrendo sobre o que corrido foi, sempre brota em nós uma noção diferente do que somos, ou fomos.
coerentes ou incoerentes, corremos sempre, falando talvez línguas e idiomas meio percebidos, despercebidos ignorámos.

e pequenos, pequeninos, almejamos sempre ser mais que nós, numa luta transcendente que só nos levou à vil ignorância de ser.

escorregámos nas noções, tornámo-nos grandes demais para nós, e pequenos demais para o mundo.

sexta-feira

Este agora é p'rá Chow que também é linda.

quinta-feira

Este post é p'rá Linnea.

domingo

“Football is a fertility festival. Eleven sperm trying to get into the egg. I feel sorry for the goalkeeper.”

björk

terça-feira

Distância
A régua da racionalização, a medida do frio.
A beleza da saudade. A tristeza da idade.

Idade
A régua do tempo, a medida do caminho.
A beleza das horas, dos anos. A veracidade do acto.

Acto
A régua da vida, a nossa medida.
A beleza em nós. A inquestionabilidade do nada.



Dez prás dez e mais azia.

quinta-feira

E diferentes cores banhavam os céus, e diferentes pensares o liam, tão atentamente.

Dois, três, quatro e cinco cambadas de seres desordenados. Poucos sabem que são, e na sua desmesurada ignorância saltitam alegremente.

Lá vai bola.

É assim que cedo se sorri, cedo se fala quando pouco erudito se é. Ao ano somos os donos do mundo e vimos tão pouco como teremos visto à hora da partida. Desenterramos ao metro e meio os preconceitos ancestrais que nos antecedem, que nos embebem, que nos comem vivos e que nos envelhecem prematuramente, que nos aniquilam o direito à pureza, à virgindade.

É cedo, tão cedo, que a dor nos estilhaça, que nos repudia a mama que chupamos vigorosamente até de lá sacar todo o sustento e prazer doente da infância. Porque a inocência é geométrica.

E porque a geometria perfeita jamais se retira do nosso infinito pessoal, do nosso imaginário.

E nada geométrica, lá vai a bola.

É quase cedo que nos arrastam pequenos e doces para um antro cheio de nós, porcos e sujos, maus. É um arrastar de condenação que nos deixa sozinhos no lugar mais cheio que já vimos. E é no seio que nos deixou, faz já tanto, tanto tempo, que tentamos resistir ao acto, que tentamos resistir ao sucumbir. Não queremos morrer.

E a bola vai, lá vai a bola, por fim.

Enchemo-nos de nós. Somos o centro do mundo. Vivemos tanto, por tão pouco. Sofremos e desatamos pelo mais pequeno inclinar ao desprazer, e somos tontos, e absurdos. Cada vez mais humanos pecamos bem mais que Adão, e bem menos que Eva. Somos pão amassado.

Somos a mentira que criámos. Somos o que moldamos, e assim nos despedaçam. E o que nos demorou a cozer o barro da alma pútrida em nós, é num instante que se lança vão abaixo, e que se perde na imensidão do vazio, do buraco comedor de gente. Somos a merda do pão amassado, e somos vis.

A bola corre, e vai, e vem tudo e somos muitos alguéns diferentes e todos mantemos a mesma característica: o alguém que não é, e assim sendo, é um alguém tal e qual o outro.

E no fim, a bola, ou o mundo, é nosso. Corremos e percorremos as pequenas linhas a tracejado que desenhamos descuidadamente no nosso globo escolar.

E no fim, o mundo, ou a bola, é nossa. Sonharam e inventaram as pequenas linhas a tracejado.

Somos portugueses. E ser portuga, portucalense, lusitano ou lusíada é tudo e é nada. As palavras são traições vãs vazias e ocas. O significado vive em nós e nem o sabemos. Odiamos o que não conhecemos.

Conheces-te?

Raramente te olhas, aposto. Raramente te vês.

O espelho espelha apenas o que queres ver, não fora a base, o cabelo, o globo ocular. O globo escolar.

Olha-o. Percorre com a ponta tracejada do teu dedo o tracejado do globo. Percorre Vasco da Gama. Percorre a gama do Vasco. Percorre a Rua da Alegria.

Percorre-te.

Olha-te.

Ser português não é fado ou saudade.

Ser português é viver como vives se o és, ou viver como viverias se fosses outro qualquer, de qualquer outro país.

Acolhe-te primeiro. Sorri-te.

E quando fores velho, bem velhinho, lê-te, por fim. Pouco de ti foste, de certo, mas os teus transpirar-te-ão. Numa sala bem cheia, se Deus quiser, te afagarão em carinhos benevolentes e francos, e serás um messias. Serás português como um inglês o seria, nesse mesmo lugar.

Leva-te contigo e serás tu.

A flor, o fado, a saudade, tem-na de ti.

O resto virá depois.

terça-feira

introspecção, parte 1







há círculos, circulam. há quadrados, enquadram.
matem-me

segunda-feira

escrever é um arrepio da imaginação e um suspiro dos olhos.

terça-feira

dificilmente o passado se apaga, porque o que é antigo crava-se nas paredes do coração, e corrói.
mas corrói silenciosamente, o traiçoeiro passado; dificilmente o pretérito perfeito o é.

dificilmente se foge.


e a cada sol se pensa e repensa o que foi e o que não foi, é preciso perdoar para se ser cristão.
mas cristãos poucos somos, e o que dói, dói muito; e a cada sol não se perdoa.

a cada sol se foge.


floresce-nos uma vontade de ser, de ser em conjunto, e lá se foi a dificuldade e a cristandade.
a verdade pode escapar, se a mentira for realmente feliz; sê fluorescente comigo.

amo-te. para sempre.



http://www.acapela.tv/Cartoon-70479460_bf03b055a9e68-70479475_bf03b05a02767-70479487_bf03b05dba8c8-7-6-1
(olha o que a fofinha da chow nos deu)

domingo






















There in the sunshine
In the sweet summertime
Oh the way that young lovers do
O mundo não é mais que um círculo.

O 2D, o 3D e o 4D são o mesmo que o 1D, que é o mesmo que nada. Estamos todos bem por cá, obrigado. A dor que flutua no ar não existe, só existe a felicidade que ainda não foi. O mais miserável moribundo sabe que a sente. Viver é viver. Sabes como?


A essência do que há e do que não há é incompreensível, incomparável. A mentira é dolorosa, mas não é, de todo, imperceptível. O que voou voou, mas a cada tornear da carne ele volta. Não deixes que a guardiã do teu terror te assombre se ela já não existe.


Voa para longe que Deus deu-te asas para isso.
(como duvidar dele?)


Há fome, há sangue em ti. A vida gere-se com o paladar dos inocentes na busca da sua própria impureza. Cada um de nós é merda pútrida que fede desmesuradamente. Mas o amor domina-nos, escraviza-nos, mata-nos.
E morremos felizes.


A dor já passou e ainda a sentes.O cobertor já desfiou e nunca sentiste o seu calor. Segue o sonho, vive a esperança, nada mais te resta.

E tantos anos correram contigo, enquanto desesperadamente lutavas. Mas a vida passa por ti. Jamais serás a morte no mundo dos vivos, jamais serás triste se não tiveres sido feliz. A não reacção é o único sintoma de morte interior, e poderá ela ser, tão simplesmente, o patamar mais alto da tua existência.
Mas humano que é humano deseja a carne, deseja a vida baixa e crua, o prazer valoroso do odor, do calor, do orgasmo.

E explode em nós uma enorme quantidade de não sei quê.


É a luz, é a cor, é a força. Lacrimeja-te o olho. Grita. A vida começa aqui.

terça-feira

um mês e meio de felicidade. já só falta a vida toda. (: